Carta para Rosa #2 Por que apoiar os pequenos e locais?



Abaixo, a carta transcrita:


Rosa,

Estou para te escrever faz um tempo. Tenho postergado essas palavras, porque ansiava muito em encontrá-la novamente em uma mesa de bar para debatermos sobre o que acreditamos. Mas a necessidade de te falar sobre meus últimos estudos é maior do que a espera.

Lembra quando a gente começou a descobrir o mundo das publicações independentes? Visitamos tantas feiras, passamos horas em pequenas livrarias, conversamos com a fonte criativa!

A partir dali, nosso contato com o papel mudou. Nossa percepção de livros mudou. Além dos cheiros, queríamos ser surpreendidas com os formatos, com as invenções editorais e com a originalidade em falar de assuntos que pareciam vir de nossas cabeças. Havia, ali, sempre uma identificação com os temas, com a trajetória das escritoras...

Pois bem, recentemente fiquei pensando muito sobre isso: por que apoiar os publicadores independentes? Acredito que a principal razão vem da ideia de burlar o sistema. E amamos isso! É uma espécie de anarquia editorial, já que nega qualquer autoridade, hierarquia e dominação. E é aqui que jaz a grande dificuldade em entender todo o processo de criação de uma publicação independente.

A primeira feira que eu visitei foi a Arruaça, em 2016. Naquela época, eu não entendia muito bem tudo isso, e achava as publicações muito caras - nem tão exorbitantes, assim., na verdade: entre R$30 e R$60 era possível adquirir belíssimas publicações! Com o tempo, percebi que existia toda uma produção criativa por trás daqueles valores: investimento de tempo, de pesquisa, produção gráfica e manual, e a disposição dos publicadores

em conversar sobre seus processos. E aí, também percebi que aqueles valores mal diziam sobre os honorários de cada um, e que basicamente cobriam os custos investidos do próprio bolso. Do próprio bolso, Rosa! Os publicadores, muitas vezes, quebram os cofrinhos para poder publicar suas ideias. E que ideias!

Pensando nisso, comecei a pesquisar ainda mais o funcionamento de editoras tradicionais e das livrarias convencionais. Quanto mais eu cavo esse buraco, mais raiva eu passo. O que mais me deixa indignada com o “tradicional e convencional” é o mandante de tudo: o dinheiro. Amazon e Submarino, por exemplo, são adeptos do “dumping”, uma prática capitalista de super-descontos para desbancar qualquer concorrência. Não existe chance alguma para os pequenos que têm estoques menores, que conhecem bem o que tem nas prateleiras, que valorizam o contato direto com os clientes (sem intermédio de computadores e robôs) e que têm equipes reduzidas. É um verdadeiro massacre!

Há um mês eu fiz um curso, em que a professora comentou que em Portugal, durante a quarentena, os consumidores preferiam comprar dos pequenos, em vez de ir direto para os supermercados para se abastecerem de comidas. Recordei que foi uma das nossas grandes conquistas compartilhada: comprar nossos alimentos dos produtores locais.

Sinto a brisa de uma leve uma mudança.

Ou será impressão minha?

É isso, Rosa a revolução começará pelo pequeno e local.

Sigamos!

Muitas saudades!

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