_autora

Susana Thénon

 

_editora

Edições Jabuticaba

_tradutora

Angélica Freitas

 

_sobre
"Nascida em Buenos Aires no ano de 1935, a poeta Susana Thénon foi contemporânea de Alejandra Pizarnik e Juana Bignozzi, e publicou cinco livros de poemas, sendo esta Ova completa (1987) o último e o mais diferente de todos. Nos seus primeiros livros, predominou a voz lírica da Thénon leitora e tradutora de Rilke. Neste último, por outro lado, nota-se a presença de uma poética cheia de subversão em relação ao cânone literário, ao machismo, à autoridade, e aos elementos que constituem certa noção de argentinidade – nos seus poemas estão embutidas paródias de famosos tangos argentinos. Quando cursava Letras na Universidade de Buenos Aires, Susana se divertia traduzindo tangos ao latim, adiantando a irreverência da sua poesia, que não hesita em aproximar cultura erudita e popular. É Strauss que vira, em seu jogo de palavras e non sense, o neologismo “estrusse”, passando antes por estresse e strass. É a Valsa lírica e dançante – precisa-se de dois para dançar? e quais dois? – que se transforma em uma crítica ao patriarcado.

A poeta demonstra desconfiar de certo tratamento acadêmico dado à escrita de mulheres que buscaria enquadrar as experiências femininas dentro de limites controláveis, servindo, muitas vezes, para reforçar estereótipos: “estou na Argentina com uma bolsa / da Putifar Comission / para fazer uma antologia / de escritoras em vias de desenvolvimento / desenvolvidas e também na menopausa”.

 

A criatividade linguística de Thénon procura desmontar o que parece estável; o que parece ter sentido claro e garantido. A necessidade da crítica literária em delimitar gerações, escolas e estilos também a incomodava. A sua paródia é demolidora: “todas as que escreveram e escreverão na Argentina / já pertencem à geração de 60 / inclusive as que estão no berçário / e inclusivissimamente as que estão no asilo”. A crítica a certos modos de representatividade acena para a necessidade de defender a complexidade da luta feminista. Não por acaso a poeta escolhe abrir esta Ova completa com as perguntas de “por que grita esta mulher”, poema que tem sido lido em voz alta pelas manifestantes do movimento “Ni una menos” na Argentina.

Pouco se sabe da vida da autora, que preferia não participar de reuniões sociais e literárias. Susana Thénon sempre foi reservada quanto a sua homossexualidade, embora tenha vivido grande parte de sua vida ao lado da coreógrafa e bailarina Iris Scaccheri. Em um dos poemas memoráveis deste livro, entretanto, ela escreve: “Sem seus ocos nos meus ocos / sem suas sombras nas minhas / sem dedos com que batucar / o tambor da agonia // se você dormisse em Ramos Mejía / amada minha / que confusão seria”.

 

Thénon é direta e, talvez por isso, mais claramente política do que outras poetas de sua geração. É alguém que tem algo urgente a nos dizer; mas o faz sempre de forma inesperada."

Ova completa_ Susana Thénon

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